A ciência tem boas notícias para os fãs de 'A Odisseia': assistir ao filme pode ajudá-los a se tornarem os heróis que sempre quiseram ser
Publicado em 30 de julho de 2026 às 16:01
Não é preciso enfrentar ciclopes para se sentir o protagonista da própria história. É isso que a ciência tem a dizer sobre o assunto
A ciência tem boas notícias para os fãs de 'A Odisseia': assistir ao filme pode ajudá-los a se tornarem os heróis que sempre quiseram ser Não é preciso enfrentar ciclopes para se sentir o protagonista da própria história. É isso que a ciência tem a dizer sobre o assunto Um grupo de pesquisadores descobriu que pessoas capazes de enxergar a própria vida como uma jornada heroica relatam um maior senso de propósito, menos sintomas de depressão e uma capacidade maior de enfrentar os problemas do dia a dia O ponto de partida dessa ideia surgiu com o mitólogo Joseph Campbell, em 1949, por meio do conceito conhecido como 'jornada do herói' Uma equipe de estudiosos reduziu os 17 estágios originais propostos por Campbell para apenas sete elementos

A estreia de "A Odisseia", novo filme de Christopher Nolan, disponível em cinemas de diferentes cidades do Brasil, arrecadou US$ 264 milhões em seu primeiro fim de semana. Mas, além do sucesso de bilheteria, há algo interessante por trás dessa história milenar que marcou a cultura.

Um grupo de pesquisadores do Boston College e da Universidade da Carolina do Norte, entre outras instituições, descobriu que pessoas capazes de enxergar a própria vida como uma jornada heroica, semelhante à de Ulisses, relatam um maior senso de propósito, menos sintomas de depressão e uma capacidade maior de enfrentar os problemas do dia a dia.

O que é a jornada do herói?

O ponto de partida dessa ideia não nasceu com Homero, mas com o mitólogo Joseph Campbell, em 1949, por meio do conceito conhecido como "jornada do herói".

Campbell identificou que histórias tão diferentes quanto "Star Wars", "Barbie" e "O Senhor dos Anéis" compartilham uma mesma estrutura narrativa.

Foi a partir dessa teoria que os pesquisadores simplificaram o modelo e o testaram em mais de 1.200 pessoas, para verificar se ele também poderia ser aplicado à vida cotidiana, sem gigantes nem deuses pelo caminho.

Veja também
Após criticar Nolan, Elon Musk anuncia seu próprio filme de 'A Odisseia' para este ano e topa pagar R$ 500 milhões a ator famoso: 'Será fiel à obra de Homero'
Os sete elementos que fazem uma vida parecer heroica

Para adaptar a fórmula à vida real, a equipe reduziu os 17 estágios originais propostos por Campbell para apenas sete elementos: um protagonista, uma mudança de circunstâncias, uma busca ou objetivo, aliados, um desafio, uma transformação pessoal e um legado.

Sob essa lógica, todo o resto se torna bastante simples. Um exemplo seria a história de um jovem que se muda para outra cidade, abre o próprio negócio, recebe apoio da família, supera o medo do fracasso e, no fim, ajuda sua comunidade.

Em essência, trata-se da mesma estrutura da história de Ulisses ou de Frodo.

O que acontece quando enxergamos nossa vida como uma narrativa

Quando os participantes do estudo identificaram esses sete elementos em suas próprias biografias e os organizaram em uma narrativa coerente, algo mudou. Não foram suas circunstâncias que se transformaram, mas a maneira como passaram a interpretá-las. 

E essa diferença foi suficiente para que relatassem mais bem-estar, maior resiliência e uma forma mais criativa de resolver seus problemas.

Segundo a Scientific American, que também detalhou os resultados da pesquisa, o exercício ainda ajudou os participantes a manter uma imagem mais clara de si mesmos.

Da tela para a vida real

É aqui que o cinema entra na história. Assistir a uma narrativa como "A Odisseia" ativa esse mesmo reconhecimento da estrutura narrativa: um protagonista que se perde, encontra aliados, enfrenta desafios e retorna transformado.

Os psicólogos explicam que esse exercício de identificar essa estrutura na tela pode treinar o cérebro para reconhecê-la também na própria rotina, mesmo que ela seja feita de reuniões de trabalho e burocracias, em vez de ciclopes e sereias.

Não é preciso viver uma aventura para ser um herói

O mais interessante é que esse benefício não depende de viver uma vida extraordinária. Basta identificar quem foi um mentor, qual foi o momento que mudou o rumo da sua trajetória ou qual legado você está deixando, por menor que ele pareça.

Os próprios autores do estudo afirmam que o exercício funcionou justamente por ajudar as pessoas a enxergar suas vidas como uma jornada do herói, fazendo com que elas passassem a percebê-las como mais significativas e, ao mesmo tempo, se tornassem mais resilientes diante dos contratempos.

Como explica o autor do estudo e professor adjunto de Administração e Organização no Boston College, Benjamin A. Rogers, "a forma como as pessoas contam a história de suas vidas influencia o significado que atribuem a elas".

Ou seja, não é preciso viver como um super-herói: praticamente qualquer pessoa pode reescrever sua própria história como a jornada de um herói, sem precisar embarcar em uma aventura.

Matérias relacionadas
O aquecimento para 'A Odisseia': a série da Netflix em que Zeus faz churrascos em pleno ano de 2025 e nos apresenta uma nova visão da mitologia grega
O aquecimento para 'A Odisseia': a série da Netflix em que Zeus faz churrascos em pleno ano de 2025 e nos apresenta uma nova visão da mitologia grega
'Robin Williams era do tipo que ficava remoendo': herói grego em 'A Odisseia', Matt Damon conta que veterano nunca ficou totalmente satisfeito com o trabalho
'Robin Williams era do tipo que ficava remoendo': herói grego em 'A Odisseia', Matt Damon conta que veterano nunca ficou totalmente satisfeito com o trabalho
Joia milenar iraniana de 3.000 anos instaura polêmica em Hollywood: por que o detalhe no look de Zendaya para o filme 'A Odisseia' indignou arqueólogos
Joia milenar iraniana de 3.000 anos instaura polêmica em Hollywood: por que o detalhe no look de Zendaya para o filme 'A Odisseia' indignou arqueólogos
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Palavras-chave
Bem-estar Filme Cinema Entretenimento